Não se engane pelo título, minha intenção não é apresentar uma receita de sucesso ou um passo a passo para se tornar um unicórnio. Trago uma reflexão sobre como muitas startups vem surgindo com um modelo de negócios similar e como se diferenciam em seus respectivos mercados.

Essa afirmação, em um primeiro momento, pode causar estranheza, pois está implícito que uma startup tem a inovação como um dos seus pilares mais fortes, e copiar um modelo de negócios pode não parecer muito inovador.

Isso me faz pensar sobre o que realmente define uma startup e, dentre diversas definições, a encontrada em um artigo da Exame me chamou a atenção:

“Uma startup é um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza.”

Uma das coisas mais interessantes desta definição é que ela deixa claro que não há receita. É preciso “jogo de cintura”, capacidade de adaptação e buscar de forma incessante o modelo de negócios que melhor atenda a empresa e seus clientes.

E lá vamos nós…

Apesar da definição apresentada, é comum encontrarmos startups que basicamente copiam um modelo de negócios e aplicam em outro segmento de mercado. Quer um exemplo? Dou vários. Startups de agendamento estão pipocando aos montes, agendamento de médicos, dentistas, estúdios de música, serviços de beleza….

Eu inclusive participei de projetos com clientes de setores diferentes, que possuem o mesmo modelo de negócios. Todos são marketplaces e isso não é coincidência. A verdade é que este modelo de negócios se mostrou repetível e escalável, bastando num primeiro momento apenas identificar oferta e demanda passível de intermediação, sejam produtos ou serviços, com tamanho de mercado aceitável para se desenvolver um negócio escalável.

A escolha de marketplace como modelo de negócios está tão em alta que inclusive já existem diversas soluções para facilitar a criação de uma startup com esse modelo. Exemplos: SharetribeCocorico, WordPress marketify.

Entretanto, a escolha de um modelo de negócios que tenha se provado um sucesso (vide Uber, 99, Airbnb, OLX) não é o bastante. É preciso definir muito bem sua atuação no mercado, entender seus clientes e oferecer a melhor experiência imaginável na entrega do seu serviço.

Tenho orgulho de dizer que entreguei isto nos projetos de startups que participei (TrinksVidaclassRunPlace, entre outros…). Marketplaces que se atentaram aos detalhes e entregam boas experiências aos seus usuários.

Aprendi com esses projetos que não importa o modelo de negócios. Se quiser ter sucesso, entenda seu público e foque na experiência.

Não se mexe em time que está ganhando?

Há diversas evidências de que ainda surgirão muitos marketplaces, cada vez mais próximos de super-nichos, entregando experiências dedicadas a públicos menores. Grandes marketplaces como OLX e Mercado Livre, por exemplo, possuem uma enorme diversidade de público e isso os impede de entregar a melhor experiência individual com o modelo atual. A própria OLX já se movimentou lançando no ano passado um marketplace verticalizado no setor imobiliário, o Storia imóveis. Meu palpite é que não vão parar por aí. Na busca por entregar melhores experiências aos usuários, outros negócios surgirão ou farão aquisições em mercados de moda, música, automóveis, ou quaisquer outras verticais que possam existir de produtos que demandem experiências dedicadas.

Se seu cliente não gostar da experiência que tem com você, ele irá deixá-lo.

Segundo dados do Google, 89% das empresas começaram a competir focadas na experiência do consumidor a partir de 2016. Há cinco anos, eram somente 36%. Entre 80% – 90% dos clientes que vivenciam uma má experiência têm pouca chance de voltar.

Podemos afirmar que marketplaces e verticalização são uma tendência, mas foco em experiência é uma realidade e isso não vale só para startups. Como sua empresa lida com a experiência dos clientes? É uma prioridade?